Nexus com Lorenço de Ávila da Costa Batista

A palavra Nexus tem origem no latim nexus, derivada do verbo nectere (“ligar”, “atar” ou “conectar”), e significa um elo, vínculo, conexão ou ponto de união entre pessoas, coisas, ideias ou acontecimentos. O termo é utilizado para descrever uma relação que conecta elementos distintos, funcionando como um nexo ou ligação que estabelece dependência, continuidade ou integração entre eles. Atualmente, a palavra mantém esse sentido fundamental de conexão e interligação em diversos contextos, como filosofia, direito, tecnologia e comunicação.

Meu irmão escolheu o clássico perfeito para definir o que estamos prestes a fazer: conectar. Uma palavra simples, dessas que parecem inofensivas até você perceber que talvez resumam boa parte da experiência humana. A proposta é fazer uma análise breve, inevitavelmente superficial e certamente imperfeita de tudo aquilo que a humanidade produziu, pensou, construiu, destruiu e reconstruiu, misturando isso com algumas reflexões atuais para tentar entender onde estamos nessa longa linha do tempo e, se a sorte ajudar, por que diabos estamos aqui.

Nossa família, como a de muitos brasileiros, é patriota. Não daquele patriotismo de desfile e fanfarra, mas daquele patriotismo cansado, desconfiado e frequentemente desacreditado. Ainda assim, basta surgir uma pequena faísca para que renasça a velha esperança de que talvez, só talvez, as coisas possam mudar. É uma relação curiosa: passamos boa parte do tempo reclamando do país, mas continuamos torcendo por ele como quem insiste em acreditar em um time que vive prometendo uma temporada melhor no ano seguinte.

Pois bem, estamos tentando acender essa faísca. Ou, pelo menos, ajudar quem ainda tem coragem de segurar o fósforo. Afinal, toda mudança que marcou a história começou da mesma forma: com algumas pessoas suficientemente inconformadas para acreditar que o mundo não precisava continuar exatamente como estava.

No ano em que escrevo estas linhas, o Brasil vive mais um ciclo eleitoral. O país parece dividido, mas a realidade é ainda mais curiosa: uma das metades está tão fragmentada quanto a outra, ocupada em disputas internas enquanto afirma lutar pelo mesmo objetivo. Talvez essa seja uma das ironias do nosso tempo. Todos falam em união, mas poucos conseguem concordar sobre o que exatamente deveria nos unir.

Não vou me alongar nesse tema agora. Basta dizer que acredito que, muitas vezes, as coisas precisam piorar antes de melhorar. Não por alguma lei mística da história, mas porque sociedades raramente mudam enquanto seus problemas permanecem confortavelmente administráveis. A necessidade costuma ser uma professora mais eficiente que a sabedoria.

Seguiremos com nosso projeto. Por enquanto, vamos estudar, conectar ideias, revisitar o passado e tentar compreender o presente. Mas em algum momento pretendo propor um passo além. Não ficar apenas no campo do conhecimento, das leituras e das discussões, mas estabelecer contato direto com aqueles que precisam. Os intelectuais continuarão cumprindo seu papel, interpretando o mundo. O nosso, talvez mais modesto e mais difícil, começa quando decidimos participar dele.

"only knowledge frees man" — E.C.