Vontade, excelência e cardiologia

9 de outubro de 2026
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Tenho meus heróis nacionais. Brasileiros que, pelo patriotismo, pela determinação e pela maneira como conduziram suas vidas, se tornaram exemplos daquilo que um dia quero ser.

Sempre admirei a medicina, especialmente aqueles médicos que dedicam seus esforços, seu tempo e cada célula do próprio corpo à busca pela excelência. Entre as especialidades, uma sempre despertou minha admiração: a cardiologia.

Um dos nomes que carrego como referência é o de Enéas Carneiro. Muitos o admiravam por sua inteligência, mas eu sempre enxerguei nele algo que considero ainda mais importante e menos questionável: a vontade.

Enéas tinha vontade. Sabia o que queria, defendia suas convicções e desejava um Brasil melhor. Além disso, dedicou parte de sua vida ao estudo do coração, tornando-se cardiologista.

Mas a vida encontrou uma maneira de transformar essa admiração em algo muito mais profundo.

No dia 13 de novembro de 2025, nasceu minha filha, Luna, com uma cardiopatia congênita grave. Ela precisou passar por uma cirurgia cardíaca no Hospital Vila da Serra, em Nova Lima, Minas Gerais.

Naquele momento, tudo aquilo que eu admirava na medicina deixou de ser algo distante, quase abstrato, e passou a fazer parte da minha própria história.

O que antes eu admirava, hoje eu venero.

Creio que Deus abençoou a equipe de cardiologistas daquele hospital. Homens e mulheres que dedicaram suas vidas ao conhecimento, à ciência e ao aperfeiçoamento de suas habilidades e que, por meio de tudo aquilo que o ser humano foi capaz de aprender e desenvolver, receberam a oportunidade de salvar a vida da minha filha.

É difícil encontrar palavras que expressem a dimensão da minha gratidão. Existe algo profundamente admirável em alguém que dedica a própria existência a adquirir conhecimentos e habilidades que, um dia, poderão significar a diferença entre a vida e a morte de outra pessoa.

Deixo aqui meu mais profundo respeito e minha eterna gratidão aos profissionais da saúde, especialmente à equipe que cuidou da Luna, e a todas as pessoas que estão dentro dos hospitais movidas por uma intenção verdadeira e por um propósito maior: salvar vidas.

Se antes eu admirava a medicina pelo conhecimento e pela excelência de seus profissionais, hoje a admiro também por algo que nenhuma teoria seria capaz de me ensinar: a oportunidade de continuar vendo minha filha crescer.

“O dado mais importante que separa o ser humano de todos os seus irmãos e primos da escala filogenética é o conhecimento; só o conhecimento liberta o homem, só através do conhecimento o homem é livre e, em sendo livre, ele pode aspirar a uma condição melhor de vida para ele e todos os seus semelhantes. Só consigo entender uma sociedade na qual o conhecimento seja a razão de ser precípua que o governo dá para a formação do cidadão. Minha mensagem é positiva: é de que o homem tem de saber, conhecer e, em conhecendo, ele é livre.”

— Dr. Enéas Ferreira Carneiro (Rio Branco, 5 de novembro de 1938 — Rio de Janeiro, 6 de maio de 2007)